Música e desenvolvimento das crianças

Música e desenvolvimento das crianças


Eu adoro escrever sobre as delícias da maternidade,tudo tão lindo,e tão difícil,aquele comecinho de vida,o pós parto que nossa,como exige do emocional e do físico,uma disponibilidade emocional enorme,um amor que não se mede.Aliás que mãe não sente essa métrica acontecer a partir do “positivo” ou em linguagem mais moderna “reagente”.Eu tive dois positivos e um reagente,ainda custei a acreditar quando peguei meu resultado do beta no laboratório,liguei lá pra conferir.
-Oi,aqui é Andressa e fiz um exame no laboratório de vocês,e não estou entendendo o resultado,você pode me dizer se reagente é positivo para gravidez?
-Sim,senhora é positivo para gravidez,parabéns!
E pimba!Lá estava eu com meu terceiro positivo/reagente,daí para frente todas nós que parimos conhecemos bem a história.
Agora,após essa breve introdução,para que conheçam um pouco da nossa história e dando um salto no tempo e mãe de adolescentes que sou (duas!) e um pequeno ser de 3 anos ouvinte e pensante ,defensora ferrenha de toda expressão artística original,e principalmente se for brasileira,tô dentro e apoio todos os movimentos. Tive um trabalho imenso para explicar para as minhas queridas adolês,desde quando elas tiveram condições de entender e assim que surgiram as dúvidas delas,quanto a sexo,de onde vem os bebês,e tudo que engloba este assunto.Abordando da forma mais natural,desencabada e lúdica possível,sempre. Não me considero uma mãe retrógrada,careta,e nem nada disto,nunca deixei de tentar explicar para elas ou tentar pelo menos,o que significavam os nomes que elas descobriam com o tempo,ou na escola,ou viam na tv,eu sempre desconstruída com elas,sempre pegava aquele “palavrão”que elas ouviram e dava um significado,explicava,rezando para que elas entendessem que mesmo que fossem a mesma coisa,elas não deveriam repetir aquele “palavrão”geralmente relacionado á vagina,pênis e ânus,e quase sempre a relação sexual.
Um dia a minha adolescente de nove anos na época,ainda nem estava na pré adolescência,ouvia uma música no fone de ouvido,e a música na época,repetia sem parar algo como “quica sem parar”,”não pára não”,”senta,senta novinha”.Aí voces vai me dizer,ah mas é só proibir eles de ouvirem essas musicas.
Gente,não é não tão fácil assim,porque adolescente se deixa levar pelos amigos,pela música que está “bombando”,eu não acho que essas musicas,machistas,sexualizadas,de cunho pedófilo,tenha nada a ver com expressões artísticas genuínas.
Eu acho que quando um determinado movimento artístico se inicia,por exemplo pela música,ele tem o intuito de expressar o contexto cultural daquele momento,daquela época. Agora digam-me vocês,que expressão cultural pode surgir de frases que incentivam as crianças a se sexualizar ainda mais cedo,ou que denigra as meninas/novinhas/crianças e pior,pior que isto é que essas musicas,que deveriam ser expressões culturais e urbanas no caso destas categorias de música que estou descrevendo aqui (que fique claro,não englobo outras) são toleradas por adultos,colocam para tocar em festinhas,ou mesmo os próprios pais ouvem.Sem ponderar como isto contribui para a banalização desse tipo de cultura para os nossos pequenos. Gastamos tanto tempo educando,conversando,explicando,mas parece que lutamos contra uma imensa massa de ignorância,e mais,muitos pais são os primeiros introdutores deste tipo de cultura aos filhos. Os próprios expõe as crianças a essas culturas (no caso música). Amplamente se tem falado que o que a criança vê,a criança faz. Mas isto não parece incomodar nossa sociedade,que parece curtir muito essas expressões artísticas altamente sexualizadas,o que estamos ensinando aos nossos pequenos. Eu aqui da minha casa tenho muita responsabilidade em contribuir para a formação de um futuro cidadão consciente. Mas como se,saindo do meu portão,o som que se ouve nas ruas, é pra f… com a x…. delas?
E dá-lhe lutar contra uma corrente,sexualista,machista e que não respeita a infância das nossas crianças. Sim,sou uma mãe indignada!
Desculpem o desabafo! Mas temos obrigação de não fomentar a ignorância,quer seja por meio de leitura,TV,ou música.
Aqui embaixo eu deixo uma introdução do
Artigo sobre música e desenvolvimento cognitivo das crianças. Acompanhem
A música e o desenvolvimento cognitivo da criança.

Inúmeras pesquisas, desenvolvidas em diferentes países e em diferentes épocas, particularmente nas décadas finais do século XX, confirmam que a influência da música no desenvolvimento da criança é incontestável. Algumas delas demonstraram que o bebê, ainda no útero materno, desenvolve reações a estímulos sonoros.

Schlaug, da Escola de Medicina de Harvard (EUA), e Gaser, da Universidade de Jena (Alemanha), revelaram que, ao comparar cérebros de músicos e não músicos, os do primeiro grupo apresentavam maior quantidade de massa cinzenta, particularmente nas regiões responsáveis pela audição, visão e controle motor (apud SHARON, 2000). Segundo esses autores, tocar um instrumento exige muito da audição e da motricidade fina das pessoas. O que estes autores perceberam, e vem ao encontro de muitos outros estudos e experimentos, é que a prática musical faz com que o cérebro funcione “em rede”: o indivíduo, ao ler determinado sinal na partitura, necessita passar essa informação (visual) ao cérebro; este, por sua vez, transmitirá à mão o movimento necessário (tato); ao final disso, o ouvido acusará se o movimento feito foi o correto (audição). Além disso, os instrumentistas apresentam muito mais coordenação na mão não dominante do que pessoas comuns. Segundo Gaser, o efeito do treinamento musical no cérebro é semelhante ao da prática de um esporte nos músculos. Será por isso que Platão já afirmava, há tantos séculos, que a música é a ginástica da alma?

Outros estudos apontam também que, mesmo se o contato com a música for feito por apreciação, isto é, não tocando um instrumento, mas simplesmente ouvindo com atenção e propriedade (percebendo as nuances, entendendo a forma da composição), os estímulos cerebrais também são bastante intensos.

Ao mesmo tempo que a música possibilita essa diversidade de estímulos, ela, por seu caráter relaxante, pode estimular a absorção de informações, isto é, a aprendizagem. Losavov, cientista búlgaro, desenvolveu uma pesquisa na qual observou grupos de crianças em situação de aprendizagem, e a um deles foi oferecida música clássica, em andamento lento, enquanto estavam tendo aulas. O resultado foi uma grande diferença, favorável ao grupo que ouviu música. A explicação do pesquisador é que ouvindo música clássica, lenta, a pessoa passa do nível alfa (alerta) para o nível beta(relaxados, mas atentos); baixando a ciclagem cerebral, aumentam as atividades dos neurônios e as sinapses tornam-se mais rápidas, facilitando a concentração e a aprendizagem (apud OSTRANDER e SCHOEDER, 1978).

Outra linha de estudos aponta a proximidade entre a música e o raciocínio lógico-matemático. Segundo Schaw, Irvine e Rauscher (apud CAVALCANTE, 2004) pesquisadores da Universidade de Wisconsin, alunos que receberam aulas de música apresentavam resultados de 15 a 41% superiores em testes de proporções e frações do que os de outras crianças. Em outra investigação, Schaw verificou que alunos de 2a. série que faziam aulas de piano duas vezes por semana, apresentaram desempenho superior em matemática aos alunos de 4 ª série que não estudavam música.

Enfim, o que se pode concluir a esse respeito é que efetivamente a prática de música, seja pelo aprendizado de um instrumento, seja pela apreciação ativa, potencializa a aprendizagem cognitiva, particularmente no campo do raciocínio lógico, da memória, do espaço e do raciocínio abstrato.

A música e o desenvolvimento afetivo

Um outro campo de desenvolvimento é o que lida com a afetividade humana. Muitas vezes menosprezado por nossa sociedade tecnicista, é nele que os efeitos da prática musical se mostram mais claros, independendo de pesquisas e experimentos. Todos nós que lidamos com crianças percebemos isso. O que tem mudado é que agora estes efeitos têm sido estudados cientificamente também.

Em pesquisa realizada na Universidade de Toronto, Sandra Trehub (apud CAVALCANTE, 2004) comprovou algo que muitos pais e educadores já imaginavam: os bebês tendem a permanecer mais calmos quando expostos a uma melodia serena e, dependendo da aceleração do andamento da música, ficam mais alertas.

Nossas avós também já sabiam que colocar um bebê do lado esquerdo, junto ao peito, o deixa mais calmo. A explicação científica é que nessa posição ele sente as batidas do coração de quem o está segurando, o que remete ao que ele ouvia ainda no útero, isto é, o coração da mãe. Além disso, a eficácia das canções de ninar é prova de que música e afeto se unem em uma mágica alquimia para a criança. Muitas vezes, mesmo já adultos, nossas melhores lembranças de situação de acolhimento e carinho dizem respeito às nossas memórias musicais. Já presenciamos vivências em grupos de professores que, a princípio, não apresentavam memórias de sua primeira infância. Ao ouvirem certos acalantos, contudo, emocionaram-se e passaram a relatar situações acontecidas há muito tempo, depois confirmadas por suas mães.

Por todas essas razões, a linguagem musical tem sido apontada como uma das áreas de conhecimentos mais importantes a serem trabalhadas na Educação Infantil, ao lado da linguagem oral e escrita, do movimento, das artes visuais, da matemática e das ciências humanas e naturais. Em países com mais tradição que o Brasil no campo da educação da criança pequena, a música recebe destaque nos currículos, como é o caso do Japão e dos países nórdicos. Nesses países, o educador tem, na sua graduação profissional, um espaço considerável dedicado à sua formação musical, inclusive com a prática de um instrumento, além do aprendizado de um grande número de canções. Este é, por sinal, um grande entrave para nós: o espaço destinado à música em grande parte dos currículos de formação de professores é ainda incipiente, quando existe. É preciso investir significativamente na formação estética (e musical, particularmente) de nossos professores, se realmente quisermos obter melhores resultados na educação básica.

http://www.proec.ufg.br/revista_ufg/infancia/G_musica.htmlMúsica e desenvolvimento cognitivo