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Olá mamaes!
Esta semana o nosso blog estará participando de um seminário em Belo Horizonte, no “Seminário de Mães”, onde terá a participação da psicoterapeuta e escritora Argentina Laura Guttman.

Eu confesso que conheci recentemente as obras e ideias de Laura, já no terceiro filho. Quem dera ter podido ler antes sobre tudo que se passava dentro da minha cabeça e do meu coração no pós parto.

Os meus pós partos foram meio melancólicos, em 1998 que foi o ano em que pari pela primeira vez, não tínhamos o acesso fácil á informação, que temos hoje. Eu me sentia diferente, bagunçada por dentro, e o ginecologista dizia ser normal.

Eu amava minha filha, entao porque eu continuava angustiada? Com uma vontade imensa de chorar? Me sentindo estranha e duvidando que eu iria dar conta?

Levou um tempo enorme para eu “assimilar” este novo eu, que estava ali ara ficar,não tinha como voltar atrás.
O problema é que a gente se cobra demais, a sociedade nos cobra demais, num período que não temos quase nada de respostas internas, quem dirá, externas.

Se eu tivesse naquela época ter podido ler Laura Guttman, é constatar que tudo aquilo era super normal,eu teria me acalmado, e evitado tantos momentos de pânico ao longo dos anos,principalmente nos meus puerpérios.

Você não está louca, pode ser depressão pós parto

Quero fazer a minha parte em compartilhar informação e principalmente acolhimento, em palavras que falam sobre a psique da puérpera,(recém mamae)então vos deixo com um excerto do livro A maternidade e o encontro com a própria sombra. E prometo transcrever aqui, tudo que absorver do encontro com essa escritora incrível que Laura é.

As mulheres puérperas têm a sensação de enlouquecer, de perder todos os espaços de identificação ou de referência conhecidos; os ruídos são imensos, a vontade de chorar é constante, tudo é incômodo, acreditam ter perdido a capacidade intelectual, racional. Não estão em condições de tomar decisões a respeito da vida doméstica. Vivem como se estivessem fora do mundo; vivem, exatamente, dentro do mundo-bebê.”

“As mães costumam ser acusadas de “superprotetoras” e seu papel maternalé desmerecido quando têm a coragem de manter o bebê sobre seu corpo.”

“As mulheres que trabalham fora de casa cansadas, voltam com vontade de encontrar as crianças, mas também com tarefas a fazer. As que não trabalham fora entram em uma atividade doméstica interminável e, embora a sensação de ter lidado o dia inteiro com as crianças, na realidade não se permitiram parar, olhá-las, observá-las e fazê-las saber que há um tempo e um espaço exclusivo para elas. Não é indispensável brincar com a criança. É indispensável olhá-la.”

“Aquilo que os adultos consideram falta de respeito lhes parece natural quando se trata de crianças.”

“Há uma grande confusão acerca do papel dos pais nessa fase de perda de identidade. Não é fundamental que um pai troque fraldas ou ponha o bebê para dormir, embora sejam atitudes sempre bem recebidas pela mãe esgotada. No entanto, quando um pai que não tem condições de sustentar emocionalmente a mulher se ocupa de trocar fraldas, o desequilibrio familiar é imenso. Qualquer mulher pode trocar as fraldas de seu bebê, mas esta ou qualquer outra tarefa se torna incomensurável quando não conta com o apoio emocional suficiente.”

“O homem se aproxima de seu filho pequeno durante um processo que é sustentado pelo amor que sente pela mulher que se transformou em mãe da criança. Acontece de fora para dentro. Por sua vez, as mães fazem o processo inverso: de dentro para fora, da fusão à separação, tanto física quanto espiritual.”