Porque as mães sentem tanta culpa?
NÃO SE CULPE NEM CULPE SUA MÃE!
Hoje eu sei que faz parte do crescimento emocional , culturalmente viemos fazendo isto há gerações. Por mais que me sinta injustiçada como mãe, eu lido com isto e exponho os fatos para minha filha, mas eu sei que ela só vai assimilar internamente quando/e se for mãe, algo que ela irá optar no futuro.

Mas eu creio também que a maturidade promoverá está catarse em nossos filhos. Eu citei a minha filha mais velha porque estou passando isto com ela, mas como mãe de menino também, incluo-o aqui!
Acompanhem o texto:

“ A palavra mãe traz à tona uma abundância de sentimentos ambivalentes: proteção, desejo de aprovação, necessidade de amor versus raiva pelo terrível dano que acreditamos que ela nos faz, mesmo involuntariamente. Sentimo-nos justificadas ao culpá-las. As mulheres seguiram esse caminho exaustivo durante gerações para nosso próprio infortúnio e dor de nossas mães. O amor e o prazer que compartilhamos (alimentados pela idealização cultural das mães) associam-se a nossa raiva e desapontamento (alimentados pela denúncia cultural das mães), o que resulta numa profunda ambivalência.

A atitude de culpar a mãe entre leigos é alimentada pelas palavras de pesquisadores e profissionais da saúde mental, considerados especialistas em comportamento humano em nossa cultura. A atitude de culpar a mãe é a base da estrutura atual de nossa sociedade, que perpetua a distribuição desigual de poder entre homens e mulheres. Culpar é uma maneira de dizer: não é culpa minha. É dela.

A sociedade tem necessidade de que as mulheres – tanto as mães quanto as filhas – se ajustem ao estereótipo feminino tradicional; de que as mães aceitem a tarefa de treinar as filhas a se ajustarem a esse estereótipo; e a necessidade de manter mães e filhas em oposição e não percebam que a origem do problema remonta às expectativas da sociedade. Em vez disso, elas culpam-se a si mesmas e as outras.

Enquanto os mitos da Mãe Perfeita estabelecem padrões que nenhuma mulher consegue satisfazer, os Mitos da Mãe Inadequada fazem o comportamento habitual das mães parecer pior do que realmente é. Através desses mitos, exageramos os erros de nossas mães e transformamos suas características não tão ruins ou neutras em monstruosidades.

A culpa tem um efeito estagnante e opressivo. A culpa nos imobiliza. A palavra culpa é usada frequentemente em lugar de vergonha ou tristeza. Esses sentimentos provêm da necessidade de satisfazer um padrão que em geral não é nosso, mas imposto e, pior, aceito. Ir além dos mitos consiste em aceitar a natureza apenas humana de mães e filhas num mundo que simultaneamente nos eleva a um ideal inatingível e nos destina, algumas vezes, às profundezas assustadoras da desvalorização, desmoralização e impotência.

Quando respeitamos mais nossas mães, nosso autorrespeito aumenta; quando vemos as injustiças que elas sofreram, nossa própria humanidade cresce”.

Por que é tão difícil para algumas mulheres perdoar suas mães? Para Melanie Klein, “a menina é mais exposta que o menino à crueldade do Supereu. Em razão da estrutura anatômica e da função receptiva do aparelho genital feminino, as pulsões orais da menina afetam mais o seu Édipo, e a introjeção do Supereu desempenha nela um papel muito mais considerável que no menino”.

Para a menina, a mãe assexuada não só lhe negou o falo como ainda lhe roubou seus bebês imaginários: “O aspecto aterrorizante da mãe arcaica fica reforçado. Ele ameaça o interior da menina, pedindo contas sobre os filhos, as fezes e o pênis paterno que lhe foram retirados”. Leitura adicional em Crueldade no Feminino, de Sophie M. Mellors.

“O que foi que prometeram aos filhos, e quem fez essas promessas, para que eles se sentissem tão injustiçados? Passei anos acusando minha mãe, de início com toda veemência, depois com uma dureza gelada; e a dor, para não dizer angústia, era profunda e genuína. Porém, agora me pergunto: em relação a que expectativas, que promessas, eu estava medindo o que de fato ocorria?” – Doris Lessing, Under My Skin.

Refs.:

Caplan, Paula. Não culpe sua mãe

Castello Branco, Lúcia. A falta

Lessing, Doris – Under my Skin

Olivier, Christianne – As filhas de Jocasta