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Puerpério é um período de luto para as mães,diz psicologo,acompanhem o texto:
Para Amaral, o puerpério é luto – sem que necessariamente haja a morte de alguém. “Há muitas perdas simbólicas como não ter o parto planejado, não poder ter sido assistida pelo profissional que queria, não ter tido a participação esperada do companheiro naquele momento, ter que redesenhar planos de carreira, perder tempo para si diante das enormes demandas de um bebê, transformações do corpo, etc.” Ele explica que esse é um longo processo de elaboração das perdas da vida onde a mulher recolhe histórias antigas, revive cenas marcantes que fundaram a identidade feminina e que agora está em questionamento e transmutação. “Há muito o que ser sentido, vivido, dito. O problema é que, junto disso tudo, está um bebê hiperdemandante, que exige física e emocionalmente esta mãe como em nenhum outro momento de sua vida”, comenta.

O psicólogo diz que os sentimentos desta fase são todos os que um ser humano consegue sentir de uma só vez. Além da alegria pela maternidade, há medos diversos, entre eles, repetir modelos criticados na família, crises conjugais, não saber lidar com o filho, se será ou não uma boa mãe, além de raivas (de si mesma, do bebê, dos familiares, do marido, da carreira, dos profissionais que assistiram ao parto), entre outros sentimentos.

Amaral diz que os profissionais de saúde precisam estar aptos a escutar e dar assistência correta a essa mulher. “Nós precisamos fazer a pergunta primeiro para nós. Como nós lidamos com cada emoção em nós e em quem cuidamos? Uma puérpera não precisa de mais julgamento oriundo dos profissionais, isso ela já tem fácil do entorno familiar”, diz Amaral, que dá cursos de psicologia para quem trabalha com assistência perinatal.