Quando nossos filhos voam

Oi mamaes!
Como muitos leitores do nosso blog sabem, eu sou além de mamãe de um pequeno que completou recentemente 4 anos, também mamãe de duas adolescentes, uma de 14 e outra de 18 anos.

Eu costumo brincar que nós mamaes reclamávamos tanto do cansaço com eles quando pequenos, porém quando entram na adolescência você começa a sentir que “perde eles”, não literalmente mas, aquela influência única que você tinha, aquele mundinho de mamãe e filhinho começa a se expandir, e temos que estar preparadas para deixá-los viver a vida deles.

É difícil dizer sim para os filhos, porque quando você diz sim, ali você botou toda uma vida dedicada em instruir, você confiou em seu bom “trabalho” e você confiou em seu filho.

Vá, filha!
Difícil dizer,hein?

Eu estou passando pela fase de deixar os filhos voarem.

Agora é aquela hora de saber se a dedicação de anos teve frutos. Se ela se vira sozinha, eu ouvi uma frase que achei interessante dos budistas. Que diz: mate o Buda! Matar o Buda significa que você deve deixar para trás (não abandonar)o seu mestre, ou seja tá na hora da minha filha deixar para trás a mamãe, mas levar com ela toda a criação que demos. Tudo o que ela aprendeu e viveu, todos os valores, ela levará para a vida.

Está na hora de a minha menina escolher o seu próprio caminho. Acredito muito que fui capaz de criar uma pessoa com valores e consciência, e que inicia ela mesma, sua nova jornada rumo a vida adulta.

Estarei sempre aqui, apoiando, incentivando, aplaudindo, e pronta para dar colo quando precisar.

Não é fácil deixar os filhos voarem. Mas é necessário.

Deixo vocês com um poema de Rubem Alves ,totalmente a cara do momento que vivemos aqui em casa.

“Sei que é inevitável e bom que os filhos deixem de ser crianças e abandonem a proteção do ninho. Eu mesmo sempre os empurrei para fora. Sei que é inevitável que eles voem em todas as direções como andorinhas adoidadas. Sei que é inevitável que eles construam seus próprios ninhos e eu fique como o ninho abandonado no alto da palmeira…Mas, o que eu queria, mesmo, era poder fazê-los de novo dormir no meu colo…Existem muitos jeitos de voar. Até mesmo o vôo dos filhos ocorre por etapas. O desmame, os primeiros passos, o primeiro dia na escola, a primeira dormida fora de casa, a primeira viagem…Desde o nascimento de nossos filhos temos a oportunidade de aprender sobre esse estranho movimento de ir e vir, segurar e soltar, acolher e libertar. Nem sempre percebemos que esses momentos tão singelos são pequenos ensinamentos sobre o exercício da liberdade. Mas chega um momento em que a realidade bate à porta e escancara novas verdades difíceis de encarar. É o grito da independência, a força da vida em movimento, o poder do tempo que tudo transforma.É quando nos damos conta de que nossos filhos cresceram e apesar de insistirmos em ocupar o lugar de destaque, eles sentem urgência de conquistar o mundo longe de nós. É chegado então o tempo de recolher nossas asas. Aprender a abraçar à distância, comemorar vitórias das quais não participamos diretamente, apoiar decisões que caminham para longe. Isso é amor. Muitas vezes, confundimos amor com dependência. Sentimos erroneamente que se nossos filhos voarem livres não nos amarão mais. Criamos situações desnecessárias para mostrar o quanto somos imprescindíveis. Fazemos questão de apontar alguma situação que demande um conselho ou uma orientação nossa, porque no fundo o que precisamos é sentir que ainda somos amados. Muitas vezes confundimos amor com segurança. Por excesso de zelo ou proteção cortamos as asas de nossos filhos. Impedimos que eles busquem respostas próprias e vivam seus sonhos em vez dos nossos. Temos tanta certeza de que sabemos mais do que eles, que o porto seguro vira uma âncora que impede-os de navegar nas ondas de seu próprio destino. Muitas vezes confundimos amor com apego. Ansiamos por congelar o tempo que tudo transforma. Ficamos grudados no medo de perder, evitando assim o fluxo natural da vida. Respiramos menos, pois não cabem em nosso corpo os ventos da mudança. Aprendo que o amor nada tem a ver com apego, segurança ou dependência, embora tantas vezes eu me confunda. Não adianta querer que seja diferente: o amor é alado.Aprendo que a vida é feita de constantes mortes cotidianas, lambuzadas de sabor doce e amargo. Cada fim venta um começo. Cada ponto final abre espaço para uma nova frase. Aprendo que tudo passa menos o movimento. É nele que podemos pousar nosso descanso e nossa fé, porque ele é eterno. Aprendo que existe uma criança em mim que ao ver meus filhos crescidos, se assustam por não saber o que fazer. Mas é muito melhor ser livre do que imprescindível. Aprendo que é preciso ter coragem para voar e deixar voar. E não há estrada mais bela do que essa.”