Sobre mães aldeia e solidao

À partir de hoje, este blog conta com a colaboração amorosa e profissional da mãe é psicóloga Lucy Peres.
Acompanhem seus textos.

Sobre mães, aldeias e solidão.
Por Lucy Peres @infanciapositiva

Triste é constatar que a maternidade e os papéis maternos estão perdendo seu lugar na sociedade. A cada geração o valor atribuído às mães, às avós, bisavós se esvai. Cada dia um pouco mais de esquecimento, de desvalor.
Perdemos a fé nos pés femininos que percorreram o caminho muito antes de nós. Desmerecemos o sagrado conhecimento feminino. Ignoramos o poder e a capacidade de gerar, de parir, de amamentar. Nossa sociedade é tão masculinizada, tão materialista e autoritária, que é quase como se tivéssemos medo do feminino. Do ser feminino. Da leveza. De sermos mulheres, de sermos mães. Nos perdemos em nosso próprio caminho.
Sabemo-nos, no entanto, moldados pela influência materna. Independente de quantos anos tenhamos, independente de quem sejamos, nossas raízes psíquicas, nossa essência emocional ainda chafurdará nos líquidos de vida, que bebemos ainda muito cedo, do ventre e seio de nossas mães.
Me causa uma enorme aflição ver nossa sociedade retroceder ao falocentrismo primitivo e sanguinário ao mesmo tempo que ainda é guiada por uma profunda presença feminina e materna. Uma presença poderosa e invisível com uma voz quase esgotada, mas que sussurra: ¨Ainda estamos aqui. Nós não desistiremos de vocês. Nós não desistiremos de nós mesmas.¨
E, então, eu penso no quão maravilhoso seria viver e maternar em um mundo de irmandade, de empatia, de acolhimento. Como retornaremos a este ethos? Como tornaremos nossas queridas e estimadas matriarcas, seus valores e virtudes visíveis para a sociedade? Quanta diferença faria em nossas jornadas como mães e mulheres se tivéssemos uma rede ativa de apoio? Apoio e incentivo por nossas mães, avós, irmãs, primas, tias e amigas. Como diz o famoso provérbio africano: ¨É preciso uma aldeia inteira para educar uma criança.¨ Porém, a ajuda de uma aldeia inteira é um conceito deveras insólito se comparado ao apoio recebido por uma mulher ao tornar-se mãe.
E essa completa falta de incentivo e empatia que muitas mães vivenciam, sendo violentadas ao parir, abandonadas e esquecidas na difícil tarefa de amamentar, cuidando sozinhas de seus bebês em seus apartamentos trancados, é o que transforma a incrível e prazerosa arte da maternagem em uma tão cruel, difícil e solitária missão.

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Lucy Peres – Mãe e Psicóloga Infantil (CRP 20/7897)
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Infância Positiva ( @infanciapositiva)
Certificação internacional em Ensino de Habilidades Sociais e Emocionais para Bebês e Crianças, pelo CSEFEL (Center on the Social and Emotional Foundations for Early Learning), em Nashville, EUA.