O filme o quarto de Jack é chocante e verdadeiro. Ele conta a história de uma mãe , uma adolescente  ainda,que vivem um período intenso de crescimento, desenvolvimento emocional e cognitivo e maturação cerebral e corporal, num processo dinâmico e complexo de mudanças que são interdependentes e associadas. Sempre precisam de condições favoráveis nutricionais, ambientais e contextuais para realizar essa transição de maneira saudável até a vida adulta e para a plena integração social.[…]

mas uma mãe que não teve como escolher se queria ser mãe. A mãe salva Jack e o vínculo materno salva a mãe. Porque eles não tinham mais nada além disto. E o mundo lá fora,e tudo que acontecia nada tinha importância a uma criança que tinha o amor de sua mãe e não sabia como funcionava o mundo lá fora. Bastou isto para eles sobreviverem.Isto.O amor de mãe
O pequeno Jack só tinha a percepção de uma criança de 5 anos e isto bastava para ele. Quando eles saem do cativeiro e se deparam com o mundo lá fora claro que ele passa a ter outra visão do mundo.Mas para sobreviver por 5 anos apenas o amor de sua mãe bastou.Já sua mãe,com sua mãe a coisa foi um pouco mais complicada,porque apesar de ela ter feito um esforço sobre humano para criar o filho numa situação daquelas e teve êxito nisto. Tanto que a criança não “tinha traumas” porque a mãe criou um universo paralelo para eles. Ele passava por uma situação traumática mas não vivenciava o traumas porque não tinha a mais vaga noção de que isto ocorria . Tudo porque sua mãe com uma sabedoria orgânica o protegia. Então está mãe é uma heroína?Sim ela era,até que uma jornalista faz uma pergunta que a tira do eixo e a faz sentir uma culpa que ela na verdade não tinha. Entende que coisa louca,e é o mesmo que acontece com todas as mães,claro que não em situação extrema como esta de cativeiro, mas nós maes somos todas orgânicas, criamos um mundo para os nossos filhos, somos o mundo deles, damos o nosso melhor,viemos sobrevivendo com uma sabedoria genética e intuitiva há milênios. Uma mãe resiliente. É aquilo que a criança não diz mas nos salta aos olhos é o que choca. A mãe de Jack desenvolveu mecanismos de sobrevivência para conseguir lidar com a situação e para criar o pequeno de forma a causar mínimos traumas . Ela criou um mundo totalmente dos dois. Ainda que ela tenha sido sequestrada aos 16 e não tivesse experiência anterior materna mas ela foi capaz de intuitivamente agir para proteger o filho. Ela mesma não absorveu muito o trauma,porque depois de fugir do cativeiro teve que lidar com os sintomas causadas pelo trauma. Mas o pequeno Jack nestes 5 anos viveu da melhor forma que poderia e feliz. O amor materno aqui demonstrado é explícito. O filho fortalecido pela “força” que sua mãe demonstrava ter, mesmo que ela não a tivesse realmente. A mãe de Jack foi resiliente durante o período de cativeiro,ela fez o que tinha de ser feito por instinto de sobrevivência, e vínculo com o filho mesmo que este fosse fruto de uma violência (neste caso!).
. Essa mãe faz escolhas que te deixarão com o coração aberto, escolhas questionáveis e perigosas, e que no entanto, parecem justificadas no contexto onde se encontra, assim como muitas mães,claro que em outro contexto.
O peso do contexto que em que vive uma,ou a situação creio eu,não são o bastante para anular o vínculo e o poder do amor materno.
Não sou o tipo de pessoa que ratifica a teoria do MESMO. O que quero dizer aqui,é que ela MESMO vivendo num contexto completamente violento, como o que vivia,e que nunca,jamais deveria ter acontecido(o sequestro e estupros),ela conseguiu enxergar e nutrir dentro dela o amor pelo filho fruto desta violência. Foi uma decisão dela optar por deixar o amor permear a história dela,mesmo que futuramente ela teve que lidar com os sintomas desta escolha naquele contexto( depressão),alias nem foram as escolhas naquele contexto mas a dificuldade que ela encontrou fora do cativeiro,em lidar com a opinião pública,e com a catarse de tudo que aconteceu com ela. Percebem como as escolhas desta mãe que não teve escolha foram difíceis,e continuaram difíceis mesmo fora do cativeiro. Cativeiro este que continuou quando ela se viu questionada pela “sociedade”,este filme nos leva a pensar em como a mulher é questionada por suas escolhas sempre.